Leonardo Resende, presidente da Juventude do MDB, vai distribuir recursos para jovens do país

O MDB acaba de dar um passo raro na política brasileira: entregou nas mãos da própria juventude do partido o poder de decidir quem fica com fatia do Fundo Eleitoral. Segundo Leonardo Resende, presidente da Juventude Nacional do MDB, a legenda vai destinar às candidaturas jovens o maior volume de recursos entre os partidos brasileiros. A Executiva Nacional formalizou na Justiça Eleitoral uma resolução que garante recursos a candidaturas jovens do MDB em 2026, com pelo menos R$ 30 mil caindo direto na conta de campanha de cada selecionado.

Quem pode disputar são emedebistas de até 34 anos, candidatos à Câmara dos Deputados ou às Assembleias Legislativas. A inscrição não pede currículo político nem pesquisa de intenção de voto. Basta meia lauda contando por que merece o dinheiro e como pretende usá-lo. Depois entra em cena uma comissão, que escolhe respeitando a proporção de 55% para mulheres e 45% para homens.

Por trás da decisão está o presidente nacional Baleia Rossi, mas quem toca a articulação na prática é Leonardo Resende, presidente da Juventude Nacional do MDB. Ele conversou com a reportagem nesta quinta-feira e revelou os números que sustentam a aposta do partido na ala jovem.

Antes de chegar à presidência nacional, Resende comandou a Juventude do MDB no Distrito Federal, onde bateu um recorde histórico de novas filiações para o partido em Brasília. Foi esse desempenho à frente da capital, entre 2021 e 2022, que abriu caminho para sua ascensão ao comando nacional do movimento jovem, cargo que ocupa desde 2023.

Os números que Baleia Rossi e Leonardo Resende comemoram

Segundo Resende, a Juventude do MDB saiu das últimas eleições municipais com 85 prefeitos, 69 vices e 1.250 vereadores eleitos em todo o país. É um resultado que, segundo ele, coloca o MDB à frente de outros partidos que também tentam renovar seus quadros.

Juntando as peças: um partido centenário, quase 60 anos de história, decide abrir mão de parte do controle sobre seu próprio dinheiro de campanha e coloca a escolha nas mãos de quem tem até 34 anos. Para Leonardo Resende, essa é a prova de que o MDB aposta de verdade na renovação, não só no discurso.

A destinação de parte do Fundo Eleitoral à juventude não é nova. A resolução prevê que 1% do Fundo Eleitoral seja reservado às candidaturas jovens, uma regra que existe desde 2020, quando a Executiva Nacional passou a reservar recursos para a então JMDB, ajudando a eleger um número recorde de jovens naquele ano. O que muda agora é o formato e a escala: segundo Resende, nenhum outro partido brasileiro destina hoje um volume de recursos tão alto às candidaturas jovens quanto o MDB. Em vez de a cúpula escolher de cima para baixo, é a própria juventude do partido, organizada em edital, que decide quem recebe o quê.

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