
O afastamento de trabalhadores e estudantes por transtornos mentais tem se tornado uma realidade cada vez mais presente no Distrito Federal. Dados do Ministério da Previdência Social (MPS) mostram que, apesar da redução no número total de benefícios concedidos de 14.771 em 2024 para 12.588 em 2025, os índices relacionados à saúde mental continuam preocupantes.
Entre as principais causas dos afastamentos estão transtornos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar. No setor privado, entretanto, o receio de sofrer preconceito ou perder o emprego ainda leva muitas pessoas a esconderem os sintomas e adiarem a busca por ajuda profissional.
Foi o que aconteceu com uma profissional da área de comunicação do Distrito Federal, que preferiu não se identificar. Ela relata que começou a sentir um esgotamento constante, acompanhado de dificuldades de concentração e da perda de interesse por atividades que antes lhe traziam satisfação.
“Eu me sentia mentalmente drenada, sem conseguir me concentrar ou encontrar prazer nas coisas que antes faziam sentido para mim”, conta.
Segundo ela, o sinal mais preocupante foi perceber que o entusiasmo pela profissão havia desaparecido. “O mais estranho foi ver o prazer pelo trabalho se transformar em repulsa. No início, eu mesma minimizava o que estava sentindo”, relata.
O medo de ser julgada no ambiente corporativo contribuiu para que permanecesse em silêncio. “Tive receio de parecer fraca ou incapaz profissionalmente, principalmente diante da chefia. Entre os colegas, encontrei mais compreensão; alguns até indicaram psiquiatras porque também enfrentavam problemas semelhantes”, afirma.
O diagnóstico de burnout marcou uma mudança em sua forma de enxergar a relação com o trabalho. “Depois do burnout, compreendi que nenhum emprego pode custar a minha estabilidade emocional. Continuo levando minha profissão a sério e sigo apaixonada pelo que faço”, diz.
Após iniciar tratamento psiquiátrico, ela conseguiu retornar às atividades e recuperar gradualmente o bem-estar e a motivação profissional. No entanto, pouco tempo depois de voltar ao trabalho, foi demitida sem justa causa.
O caso evidencia os desafios enfrentados por trabalhadores que lidam com transtornos mentais e reforça a necessidade de ambientes profissionais mais acolhedores, capazes de promover a saúde mental e combater o estigma associado a essas condições.













